O Facebook planeja um canal dedicado a notícias – e pode remunerar produtores de conteúdo!


Durante uma conversa com Mathias Döpfner, presidente do grupo alemão de mídia Axel Springer, que foi veiculada em forma de vídeo e em um podcast, o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, revelou que a empresa planeja lançar um novo canal dentro da rede social dedicado exclusivamente a notícias.

Zuckerberg não entrou em detalhes, mas gastou uma boa parte da conversa perguntando a Döpfner, que hoje administra o maior grupo de mídia na Europa, como o empresário enxerga qual seria a melhor forma de seguir com o projeto, tanto para usuários e usuárias quanto para as editoras. A partir dessa troca, algumas ideias de como esse novo canal seria estruturado vieram à tona. "Ainda é uma folha em branco", ressaltou Zuckerberg.

Pelo que foi dito na conversa, compreende-se que:

  • O novo canal de notícias do Facebook seria similar ao Watch, o canal dedicado a vídeos da plataforma. Ou seja, uma "superfície" separada do Feed de Notícias a que estamos acostumados.

  • Esse canal seria dedicado a notícias, com foco em marcas jornalísticas de alguma forma consagradas, e conhecidas pelo seu trabalho mundialmente, "respeitadas" e com credibilidade. O objetivo aqui seria filtrar conteúdo de baixa qualidade e "fake news". Mas haveria espaço também para produtores independentes, bloggers com um trabalho reconhecido e de qualidade.

  • Zuckerberg discutiu na conversa que ainda não sabe exatamente como essa curadoria seria feita, se o canal exibiria apenas conteúdo de marcas às quais usuários e usuárias já estejam conectados em seus perfis (via curtidas em páginas) ou se abriria um pouco mais o cardápio, exibindo também material de marcas às quais as pessoas não se conectaram previamente – nos moldes do que ocorre hoje com o Watch. Döpfner diz apoiar esse segundo modelo.

  • O presidente do Facebook ressaltou que sua empresa não faria essa curadoria de forma humana, por meio de jornalistas contratados, mas continuaria dependendo de algoritmos e inteligência de máquina, como ocorre atualmente em outros canais da plataforma.

  • Modelo de negócio foi o ponto mais escrutinado por Döpfner durante a conversa (tópico de grande interesse para o alemão, como é claro). Döpfner insistiu que cedo ou tarde os jornais impressos devem morrer, e por isso é de extrema importância que um ecossistema saudável para o jornalismo digital seja estabelecido, e que o Facebook poderia ter um papel central nesse processo, ajudando a estabelecer um modelo de negócio interessante tanto para grandes empresas editoras, para financiar o trabalho de jornalismo investigativo realizado ao redor do mundo, quanto para produtores independentes, como bloggers, que hoje também produzem conteúdo de qualidade e se beneficiariam de um modelo de negócio sustentável.

  • Döpfner sugere que esse modelo seja inspirado no mesmo formato adotado pela indústria da música, ou seja, o de licenciamento de conteúdo: as empresas detentoras do conteúdo (editoras, bloggers etc) licenciariam esse material para o Facebook, para que ele fosse usado dentro da plataforma, por exemplo, nesse canal dedicado a notícias e conteúdo jornalístico. Ou seja, o Facebook passaria a pagar pelo uso de conteúdo na plataforma (de novo, dentro desse ambiente exclusivo), algo inédito e sem precedentes que poderia representar um marco para a indústria da mídia. Na conversa, Zuckerberg diz que acha esse modelo razoável, e ainda que muitas pontas tenham que ser amarradas, esse poderia sim um caminho a seguir. Ótima notícia para as produtoras de conteúdo!

E você? O que acha de um canal dedicado a notícias no Facebook? Faria sentido para você? Deixe a sua opinião nos comentários!

Clique aqui para ouvir a conversa completa entre Mark Zuckerberg e Mathias Döpfner, via Spotify.