November 10, 2019

O cofundador do WhatsApp acredita que você deveria deletar o seu perfil no Facebook

O cofundador do WhatsApp acredita que você deveria deletar o seu perfil no Facebook

Falando para um público de entusiastas da tecnologia em um evento comemorativo do aniversário da revista Wired, o cofundador do aplicativo de troca de mensagens WhatsApp, Brian Acton, disse acreditar que, atualmente, a melhor ideia é deletar o seu perfil no Facebook. Ele fala isso por conta da maneira com que o Facebook tem administrado os dados de seus usuários, vendendo-os para anunciantes, com o objetivo de otimizar resultados de campanhas publicitárias.

O resultado, como revelou o escândalo da firma Cambridge Analytica, é que não apenas os usuários têm pagado caro pelo uso da rede social, entregando seus dados para corporações e organizações suspeitas, mas também essas informações vêm sendo usadas como munição e armas políticas em campanhas de estratégia ideológica, como se viu nas últimas eleições americanas e brasileiras.

A empresa de Mark Zuckerberg comprou o WhatsApp por US$ 19 bilhões em 2014, e desde então, houve vários desentendimentos entre Zuckerberg e a equipe original do aplicativo, principalmente em torno de assuntos como privacidade e monetização. Acton deixou a empresa que fundou em 2017, justamente por conta de uma dessas brigas. Jan Koum, outro fundador do WhatsApp, também abandonou o barco em 2018, por motivos similares.

Curiosamente, a vida não parece muito longa dentro do Facebook para fundadores de aplicativos comprados pela megaempresa de Mark Zuckerberg. Também no ano passado, Kevin Systrom e Mike Krieger, criadores do Instagram, saíram.

Na época de sua partida, Acton explicou por que deixou o Facebook e abriu mão de US$ 850 milhões no processo: os executivos do Facebook queriam vender dados de usuários para o seu negócio de publicidade, e ele discordava. Hoje, sabe-se que informações do WhatsApp são utilizadas com esse intuito, tornando ainda mais rico o leque de possibilidades para corporações, organizações e atores políticos interessados em usar esses dados para atingir seus objetivos (nem sempre, ou quase nunca, benevolentes).

Fonte: The Verge