June 4, 2020

Mundo lembra massacre de estudantes pedindo democracia na China em 1989

Mundo lembra massacre de estudantes pedindo democracia na China em 1989

Hoje, dia 4 de junho, o mundo lembra dos eventos trágicos ocorridos em Pequim, capital da China, em 1989: o massacre de estudantes que protestavam por democracia na Praça da Paz Celestial, executado por tropas do governo equipadas com rifles de assalto e tanques. O número de mortos e feridos não é conhecido, pois essas informações foram suprimidas pelo governo chinês, mas estima-se que varie das centenas aos milhares.

O movimento estudantil, que já durava um mês, envolvendo protestos e greves de fome, se espalhava pelo país, que passava por rápidas transformações econômicas e culturais após a morte de Mao Tsé-Tung, patriarca da revolução comunista chinesa, em 1976. Os estudantes pediam maior liberdade política e a ruptura com o sistema partidário único – que prevalece até hoje.

Na época, o governo considerou que os protestos representavam um risco para a estabilidade do governo, e decidiu fazer uso da força bruta, enviando cerca de 300 mil tropas para Pequim no fim de maio daquele ano. Semanas depois, a repressão culminaria no massacre da Praça da Paz Celestial e no fim dos protestos. As tropas marcharam pelas partes centrais da capital, matando manifestantes e quem observava. Ativistas foram presos e jornalistas estrangeiros expulsos. De certa forma, todo o aparato de repressão que o governo chinês utiliza hoje contra dissidentes tem raízes nesses eventos no final dos anos 1980.

O dia 4 de junho, neste ano e 2020, tem sido lembrado com especial atenção por conta da onda de protestos que tomam o mundo, em um contexto semelhante ao enfrentado pelos estudantes chineses em 1989: o da busca por um sistema mais justo e igual para todos, luta que se depara novamente com regimes opressores dispostos a usar a força – militar, inclusive – para reprimi-la.

Em Hong Kong, território chinês semiautônomo que assistiu a protestos pró-democracia desde o ano passado, e a repressão violenta desses protestos, a vigília em homenagem aos mortos de 4 de junho foi, pela primeira vez, cancelada pelo governo. Proibida, no contexto do COVID-19 e do possível espalhamento da doença, dias depois de uma nova lei ser aprovada pelo partido nacional, autorizando a repressão em Hong Kong de "atos subversivos" que "ameacem a segurança nacional".

Neste 4 de junho, o mundo lembra com amargor dos eventos de 1989.

Fonte: The New York Times