June 5, 2020

Mark Zuckerberg sofre críticas por manter posts de Trump que incitam violência

Mark Zuckerberg sofre críticas por manter posts de Trump que incitam violência

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, está sob uma enxurrada de críticas por conta de sua decisão de manter inalterados os posts do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que espalham informações falsas e incitam a violência contra manifestantes que pedem justiça e igualdade racial no país.

Em um desses posts, Trump escreveu que "quando o saque começa, o tiroteio começa" – uma referência ao uso de armas de fogo das forças policiais contra a sua própria população. Os comentários de Trump acontecem em meio a um período de forte turbulência social, disparada pelo assassinato do cidadão americano George Floyd, asfixiado pela polícia no chão, desarmado.

Desde então, as maiores plataformas de redes sociais têm adotado estratégias diferentes para lidar com os comentários inflamatórios de Trump. Por um lado, o Twitter vem adicionando alertas anexos aos posts do presidente, avisando que eles contêm informações sem bases comprovadas, e que "glorificam a violência". Na contramão, o Facebook optou – em uma decisão que envolveu diretamente o CEO Mark Zuckerberg e repercutiu no mundo da tecnologia e no campo político – deixar os mesmos posts de Trump inalterados, sem qualquer sinalização. Zuckerberg argumentou que a plataforma deveria zelar pela liberdade de expressão, que seu papel não é ser "árbitra da verdade", e que apagar ou anexar avisos aos posts do presidente poderiam colocá-la em um caminho de ter cada vez mais restrições e limitações à livre circulação de opiniões.

Mas essa decisão tem sido recebida com severas críticas, de ativistas, funcionários do próprio Facebook – alguns dos quais pediram demissão em protesto – e ex-empregados, entre eles alguns dos mais antigos da empresa, que publicaram uma carta aberta resumindo as principais críticas contra a decisão – que foi classificada por eles como "covarde" e "contrária" às bases sobre as quais a plataforma foi construída, e seus ideais, de dar voz às pessoas de forma justa e igualitária, independente de quem você seja.

A principal crítica feita é de que, apesar de Mark Zuckerberg afirmar que o Facebook não possa se colocar numa posição de "árbitro da verdade", é exatamente isso o que a plataforma faz todos os dias, mas com cidadãos comuns – reduzindo o alcance de alguns posts por considerar seu conteúdo inapropriado, ou apagando-os. A carta sugere, então, que o Facebook estaria virando de ponta-cabeça seus ideais, aplicando regras restritivas à maioria dos usuários, enquanto mantém os poderosos intocados.

Além disso, o texto ainda lembra que o Facebook sabe, talvez melhor do que ninguém, com seu corpo de especialistas no assunto, que posts como o de Trump – incitando mesmo que indiretamente a violência – têm um forte e concreto impacto, ainda mais quando amplificados pelos algoritmos de uma grande rede social. Eles disparam sinais que reverberam em pessoas que já pensam de forma violenta, sugerindo que elas estão autorizadas – pelo presidente – a seguir aquele tipo de comportamento. Portanto, seria um ato de irresponsabilidade manter os posts de Trump inalterados.

A carta termina lembrando que esses são problemas difíceis de serem solucionados em escala, mas que o Facebook é capaz de dar a eles uma resposta melhor do que a atual, e pede para que Mark Zuckerberg reconsidere sua decisão. Mas, até o momento, o Facebook não anunciou que fará qualquer mudança em sua política estabelecida em relação aos posts de Trump.  

Fonte: The New York Times

Foto por Charles Deluvio do Unsplash