August 22, 2017

Inventor de submarino admite morte de jornalista durante viagem em sua embarcação

Inventor de submarino admite morte de jornalista durante viagem em sua embarcação

Um engenheiro dinamarquês, entusiasta da construção de submarinos, admitiu à polícia nesta segunda-feira que a jornalista sueca Kim Walls, desaparecida desde o dia 10 de agosto, morreu em um acidente durante uma viagem em sua embarcação, o UC3 Nautilus. Em uma primeira versão da história, o inventor, Peter Madsen, que era o único acompanhante de Walls no momento do seu desaparecimento, disse à polícia que ele a havia desembarcado com vida e em segurança em um local remoto de Copenhagen, capital da Dinamarca, após uma entrevista a bordo.

Madsen está preso e responde por homicídio não intencional. As circunstâncias em torno do ocorrido, no entanto, ainda são nebulosas. Não é clara a natureza do suposto acidente, e os motivos que levaram Madsen a deixar o seu corpo na água, em vez de trazê-lo de volta à terra.

O tronco de uma mulher, sem cabeça nem membros, foi encontrado no mar, próximo à região onde o engenheiro afirma ter sepultado o corpo de Walls. A polícia ainda não sabe se os restos mortais pertencem à repórter, conhecida pelo seu trabalho para publicações como o The New York Times.

Kim
O último registro de Kim Walls com vida, ao lado de Peter Madsen, no Nautilus

Segundo os investigadores, os dois zarparam do porto de Copenhagen na quinta-feira, 10 de agosto. Na manhã de sexta, o namorado de Walls comunicou seu desaparecimento para polícia, que depois de iniciar as buscas, encontrou o submarino vazio, afundado na baía de Copenhagen.

Na primeira versão, Madsen disse à polícia que desembarcou Walls no porto em segurança e que depois seguiu viagem sozinho, antes de um acidente que levou o submarino a pique. O engenheiro precisou nadar antes de ser resgatado por uma embarcação particular.

Agora, com a nova versão de Madsen, há mais perguntas a serem respondidas. Por que ele não acionou as autoridades depois do acidente? Por que mentiu em sua primeira versão?

Detalhes da investigação seguem em sigilo, mas a história tem capturado a imaginação dos suecos e dinamarqueses em torno das possíveis teorias do que aconteceu no submarino naquele dia.

Peter Madsen tinha fama como inventor entusiasta de submarinos e foguetes. Mas, aparentemente, escondia um lado sombrio. Dois anos atrás, um texto publicado na Internet citava o inventor com a seguinte frase a respeito de sua principal criação:

Uma maldição paira sobre o Nautilus. Essa maldição sou eu. Não haverá calmaria em torno do Nautilus enquanto eu existir.

O caso também tem levantado discussões em torno das dificuldades e perigos enfrentados por jornalistas mulheres ao desempenhar sua profissão.

Fonte: The New York Times