November 7, 2019

Inteligência artificial capaz de produzir textos automaticamente é liberada ao público

Inteligência artificial capaz de produzir textos automaticamente é liberada ao público

O sistema de inteligência artificial GPT-2, criado pelo laboratório OpenAI, um centro de pesquisa situado na Califórnia, foi liberado ao público em sua versão integral.

O software foi treinado com uma base de cerca de 8 milhões de artigos da Internet, e é capaz de gerar textos coerentes, automaticamente, a partir de uma pequena quantidade de texto fornecida pelo usuário.

Por exemplo, se o usuário escrever o título de uma notícia inventada, algo como, "Número de vacas voadoras bate recorde em 2019", o GPT-2 é capaz – a partir desse input mínimo – redigir todo um texto, razoavelmente coerente. Ele inclusive consegue produzir poemas bem convincentes.

Ele consegue fazer isso por conta do seu sistema de machine learning que, calibrado a partir de artigos da internet, é capaz de extrapolar a partir de qualquer informação.

Em fevereiro deste ano, a OpenAI segurou o lançamento do GPT-2 por medo de que o sistema pudesse ser usado para espalhar fake news e spam em redes sociais. Agora, os pesquisadores afirmam não ter encontrado evidência de que o programa seria danoso para a sociedade, o que os levou a lançar sua versão integral ao público.

Para testar o funcionamento do GPT-2, você pode acessar este link e colocar o texto que você desejar, para ver como ele reage (em inglês).

É interessante ver o programa em funcionamento. Seu poder de abstração impressiona, e em um dos testes, ele retornou com uma proposta de ideia de romance de ficção científica nada má. Mas, no caso de notícias mais objetivas, ele pode desviar do assunto principal, e faltar com lógica algumas vezes.

O fato é que o GPT-2 é um impressionante exemplo de como os sistemas de inteligência artificial podem se desenvolver rapidamente, e com resultados incríveis em pouco tempo.

Simultaneamente, o lançamento do sistema levantou também uma discussão acalorada, que deve se manter quente nos próximos anos, na medida em que as pesquisas em torno da inteligência artificial aceleram, que é: como esse tipo de tecnologia deve ser comunicada e lançada ao público. Ou seja, como os pesquisadores devem se comportar para minimizar efeitos potencialmente negativos para a sociedade dessas inovações.

Alguns acreditam que esses lançamentos devam ser feitos com extrema cautela, para garantir que nenhum efeito negativo – como, no caso do GPT-2, a proliferação de fake news automáticas, ou o uso de deep fakes para difamar pessoas – seja causado. Outros afirmam que esse "medo" pode causar uma impressão errada entre a população dos benefícios da inteligência artificial, e tornar a pesquisa e sua comunicação mais lenta, atrasada e equivocada.

E você, o que acha dessa discussão?

Fonte: The Verge