June 5, 2020

Facebook permitiu veiculação de anúncio que incentivava pessoas a atirar em manifestantes

Facebook permitiu veiculação de anúncio que incentivava pessoas a atirar em manifestantes

O Facebook está vivendo dias difíceis, em que as agitações políticas que se espalham pelo mundo – e a radicalização desses discursos – desafiam as regras de conteúdo da plataforma. Mas o que está ficando claro é que a empresa ainda não é capaz de moderar de forma eficiente – e segura para todas as comunidades – as publicações veiculadas em sua rede.

Um exemplo gritante é este anúncio, veiculado no Facebook por um candidato republicano ao congresso americano do estado da Georgia, em que o próprio candidato, Paul Broun, aparece atirando com um rifle AR-15 em um campo. Broun chama a arma de "máquina da liberdade" – em uma clara referência ao pensamento violento conservador reacionário. Ele explica, ainda no anúncio, que a "máquina da liberdade", ou seja, o AR-15, deveria ser usada contra "hordas de saqueadores de Atlanta", referência aos manifestantes e protestos por igualdade racial e justiça que ocorreram na cidade após o assassinato do cidadão negro George Floyd pela polícia, desarmado e rendido, asfixiado.

O anúncio foi retirado do ar depois de uma matéria jornalística apontar para a violação do vídeo às regras do Facebook de não veicular material que possa promover violência. Mas no tempo em que ficou no ar, foi visto por mais de 50 mil pessoas, segundo dados da própria plataforma.

POLÊMICA EM TORNO DE POSTS DE DONALD TRUMP

Esse é um exemplo de como as políticas de regulação de conteúdo ainda falham no Facebook – mesmo em casos graves como esse.

É isso o que tem provocado revolta e questionamentos em torno do CEO Mark Zuckerberg, no momento em que ele decidiu manter inalterados os posts em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incita violência contra manifestantes que pedem justiça e igualdade racial no país, não muito diferente do anúncio veiculado pelo candidato da Georgia.

Em um desses posts, Trump escreveu que "quando o saque começa, o tiroteio começa" – uma referência ao uso de armas de fogo das forças policiais contra a sua própria população.

O Facebook – que também se esquiva das constantes tentativas de órgãos governamentais de regulá-lo – não anunciou ainda, frente aos recentes episódios, nenhuma mudança significativa em relação à sua política de conteúdo.

Fonte: The Pulse