"Eu não posso falar onde a gente cede" – Paulo Guedes expõe negociatas do governo Bolsonaro em entrevista


"... Nós temos uma estratégia de negociação e a gente está preparado para ceder em algumas coisas e não ceder em outras".

Em uma entrevista reveladora à GloboNews, o Ministro da Economia do presidente Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, revelou detalhes dos bastidores do governo, como as negociações que ocorrem com outros atores políticos – que ele não chegou a nomear – a partir dos planos econômicos "técnicos" produzidos por ele e pela sua equipe.

Quando perguntado pelos jornalistas, ele se recusa a entrar em detalhes sobre os pontos específicos das negociações. "Eu não posso falar onde a agente cede."

Guedes insiste que se responsabiliza pela parte técnica apenas, e que as negociações políticas são realizadas pela Casa Civil e pela própria presidência. "Aí entra lá no pipeline deles. Eles vão, mexem aqui, mexem ali..."

Questionado pelo jornalista Valdo Cruz se o governo não estaria excessivamente dependente da Reforma da Previdência, sem buscar outras alternativas para reverter a tendência de desaceleração da economia, Guedes se esquiva, e cita outras estratégias de sua equipe: "choque de energia barata", mudanças nos impostos e privatizações, sem entrar em detalhes sobre esses planos. Mas, rapidamente, a conversa volta a girar em torno da reforma da previdência, e o Ministro faz uma ameaça: diz que, se a reforma não passar, o destino econômico do Brasil será o mesmo da Venezuela – país latino-americano vizinho que passa há anos por uma grave crise que provocou desabastecimento generalizado e cortes de energia.

Ao longo da conversa, Paulo Guedes, que é PhD em economia pela Universidade de Chicago, falou ainda sobre novas estratégias de tributação, e cita uma conversa que estaria ocorrendo no âmbito do FMI e de outros países, no sentido de tributar empresas digitais, como Google e Netflix, que atuam no Brasil – um imposto unificado, centrado em pagamentos, que incidiria também sobre outros tipos de movimentação, podendo inclusive afetar o cidadão comum, a partir de transações financeiras como saques e transferências.

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