July 12, 2019

Entregador da Rappi morre após sofrer AVC em entrega e não receber socorro da empresa

Entregador da Rappi morre após sofrer AVC em entrega e não receber socorro da empresa

O motoboy Thiago Dias, de 33 anos, morreu na última segunda-feira (8), em São Paulo, depois de ter sofrido um AVC na noite de sábado (6), enquanto fazia entregas pelo aplicativo Rappi. A empresa que gerencia o aplicativo não prestou assistência ao entregador, que agonizou por horas à espera de ajuda. A reportagem é da Folha de S.Paulo.

Thiago foi socorrido por uma advogada que havia feito o pedido, e o encontrou passando mal na frente do seu prédio. Após uma longa espera, e depois de não ter recebido socorro do SAMU, o motoboy foi levado por um amigo até o Hospital das Clínicas, onde chegou a ser internado, mas não resistiu. Em casos de AVC, a agilidade no atendimento é crítica para aumentar as chances de sobrevivência do paciente.

Enquanto Thiago agonizava na calçada, a Rappi chegou a ser acionada pela usuária que fez o pedido, em busca de ajuda, mas foi orientada apenas a “a dar baixa” no pedido de um vinho que ela havia feito, e que Thiago havia sido enviado para comprar, para não prejudicar o sistema. Antes de perder a consciência, o motoboy pediu que a mulher entrasse em contato com a Rappi e avisá-los, para não atrapalhar o fluxo de entregas.

Segundo reportagem do G1, Thiago trabalhava até 12 horas por dia pelo aplicativo. Ele tinha esposa e uma filha de 6 anos.

O caso da morte trágica de Thiago Dias expõe um problema cada vez mais difícil de ignorar: as relações desiguais e exploratórias estabelecidas entre grandes empresas de tecnologia, como a Uber e a Rappi, com entregadores e motoristas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, que precisam do trabalho, mesmo em condições insalubres e extremas.

Ainda que o Rappi tenha declarado “lamentar” a morte de Thiago, e anunciado a implementação de um “botão de emergência” no seu aplicativo, parece pouco frente a um problema tão grande, que remete ao próprio modelo de negócio dessas empresas. Uma questão que parece longe de ser solucionada de forma adequada e definitiva.

Fonte: Folha de S.Paulo e G1