Encontro da OTAN na Polônia alerta para iminência de conflito com a Rússia


Anakonda16

*O exercício Anakonda 2016 da OTAN contou com 31 mil tropas, mais veículos de combate de 24 países, para simular um conflito em larga escala*

Nas últimas décadas, os conflitos em que os membros da OTAN (Organização do Atlântico Norte) se envolveram tiveram como alvo regimes mais vulneráveis do ponto de vista militar – estados fragilizados como Afeganistão (2011 - 2014) e Líbia (2011). Ainda assim, o mundo pôde testemunhar, nessas operações, o horror da guerra. Mas o período de conflitos pontuais pode chegar ao fim, a julgar pelos alertas emitidos por comandantes e oficiais da OTAN reunidos em Varsóvia, na Polônia, nos dias 8 e 9 de julho. De acordo com as análises publicadas pelos militares, um embate de larga escala com a Rússia e seus aliados parece iminente.

Nos documentos produzidos durante o encontro, a chamada "ameaça russa" foi colocada, dentro de uma escala de prioridades, acima da sombra terrorista do Estado Islâmico e da Al-Qaeda. A nação de Vladimir Putin é acusada de aprofundar a desestabilização de países vizinhos, com a anexação da Crimeia, exercícios militares e outras manobras que a OTAN considera "provocações".

BALTOPS

*Navios da OTAN manobram durante o exercício BALTOPS 16*

Em resposta, os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte ampliaram a presença de tropas em regiões estratégicas da Europa, como Letônia, Lituânia, Estônia e Polônia – o que representa um aumento de quatro vezes no investimento militar, de US$ 789 milhões em 2016 para US$ 3,4 bilhões em 2017. A OTAN afirma que o deslocamento faz parte de um movimento rotineiro de tropas.

Ao todo, o documento principal produzido em Varsóvia dedica 22 parágrafos à Rússia, e inclui trechos como o seguinte:

As ações e políticas desestabilizantes da Rússia incluem: a atual anexação ilegal e ilegítima da Crimeia, que nós não reconhecemos e que clamamos que a Rússia reverta; a violação de fronteiras soberanas a força; a desestabilização deliberada do leste da Ucrânia; exercícios de larga escala contrários ao espírito da Convenção de Vienna, e atividades militares provocativas próximo a fronteiras da OTAN, inclusive nas regiões do Báltico, do Mar Negro e no leste do Mediterrâneo.

Outros indícios do aumento da tensão entre os dois lados apareceram durante o exercício Anakonda 2016, em que a OTAN utilizou 31 mil tropas e milhares de veículos de combate de 24 países na simulação de um conflito de larga escala com a Rússia, e no exercício naval BALTOPS 16, realizado no Báltico.

Em contrapartida, Vladimir Putin ampliou as atividades militares em suas fronteiras, e afirma que continuará a tomar medidas para proteger o seu país. Durante uma entrevista com jornalistas internacionais, o presidente da Rússia se mostrou preocupado com o sistema de mísseis que a OTAN está instalando na Europa – e que poderia ameaçar seu país com capacidade nuclear.

Putin afirma que a atual estratégia da Organização levará o mundo a um conflito global:

"Seu povo não percebe o perigo iminente – isso é o que me preocupa. Como vocês não entendem que o mundo está sendo empurrado em uma direção irreversível?"

Se o atual cenário parece complexo, o futuro próximo indica que os desafios aumentarão ainda mais. Uma Europa enfraquecida pelo Brexit e pelo terrorismo, o aumento do nacionalismo e o fortalecimento do discurso de ódio nos Estados Unidos, encarnado na figura de Donald Trump, são alguns dos elementos que complicam ainda mais a situação. Os próximos anos devem ser de turbulência no cenário internacional.

Fonte: The Canary