April 22, 2020

As empresas nunca precisaram cuidar tão bem de seus funcionários quanto agora

As empresas nunca precisaram cuidar tão bem de seus funcionários quanto agora

Lendo a notícia de que o Nubank vai enviar cadeiras ergonômicas aos funcionários que estão trabalhando de casa, por conta do isolamento causado pela pandemia do COVID-19,  pensei que as empresas hoje enfrentam um desafio inédito. Elas nunca precisaram cuidar tão bem de seus funcionários quanto agora. As cadeiras são apenas parte do pacote oferecido pelo Nubank, que inclui ainda suporte de psicólogos e máscaras, para os cerca de 2.600 funcionários espalhados por São Paulo, Berlim, Cidade do México e Buenos Aires.

A própria cofundadora da fintech, Cristina Junqueira, explica o movimento:

"Precisamos cuidar do time. Sem eles não conseguimos cuidar dos clientes", disse a executiva em entrevista à Época Negócios.

Pode parecer óbvio, mas a ação do Nubank ainda é vista como caso isolado – inclusive digna de notícia, ainda que eu já tenha ouvido falar de outras empresas que têm tomado iniciativas similares, pelo menos no sentido de oferecer cadeiras de escritório para seus colaboradores trabalharem de casa. Mas é óbvio que precisamos mais do que cadeiras para minimizar dores nas costas.

Pegue a questão da saúde mental por exemplo. Pesquisas mostram que problemas nessa área são responsáveis por diminuição na produtividade, abuso de substâncias, e podem causar sintomas físicos graves, como doenças cardíacas, autoimunes e neurológicas. Mas é raro encontrar uma empresa que ofereça suporte psicológico profissional para seus funcionários, pelo contrário. Muitos ambientes corporativos tendem a contribuir para o agravamento do adoecimento mental, para a deterioração da saúde psicológica, com dinâmicas que promovem a competição desenfreada, o atrito, e a realização de metas irreais. Todos aqueles que trabalharam nesse tipo de organização sabem do que estou falando.

Agora, em meio à pandemia do COVID-19, com as pessoas isoladas em casa, e temerosas em relação à própria segurança, de familiares e amigos, há uma propensão para que problemas psicológicos aumentem de forma significativa. Estresse e sintomas depressivos estão em alta, como se vê pelas redes sociais e nas interações com quem está mais próximo. Logo, o impacto negativo desse novo cenário sobre a vida profissional deve ser ainda maior, o que aumenta a urgência de medidas compensatórias. Mas mais que isso, as empresas precisarão rever a forma como vêm tratando seus colaboradores, sob o risco de ter uma força de trabalho simplesmente incapaz de realizar suas tarefas.  

O agravamento da situação pode ser uma boa oportunidade, para passarmos a dar mais importância a algo que sempre esteve aqui, talvez deixado em segundo plano: nossa saúde, física, mental, e bem-estar. E nos ambientes corporativos, as empresas precisarão se adaptar, correr atrás do tempo perdido, e ajudar a construir bases que promovam a saúde entre seus colaboradores, para que esses, como falou Junqueira, possam cumprir de forma plena suas atribuições para atingir os objetivos da organização.