February 13, 2020

Cientistas desencavam fósseis de tartarugas do tamanho de carros na América do Sul

Cientistas desencavam fósseis de tartarugas do tamanho de carros na América do Sul

Foto: Universidade de Zurique/Edwin Cadena

Uma equipe de cientistas desencavou no deserto Tatacoa, na Colômbia, e na região de Uramaco, na Venezuela, fósseis de uma espécie de tartaruga – Stupendemys geographicus – que viveu ali há entre 13 e 7 milhões de anos, e que chegavam ao tamanho de um carro. A descoberta está ajudando os paleontólogos a compreender melhor esse tipo de animal, seus hábitos, e o ambiente que o cercava. Indícios geológicos apontam que toda essa região, que inclui o Brasil, abrigava nesse período um enorme sistema de terras alagadas, habitadas por répteis gigantes, como essas tartarugas, e também megacrocodilos predadores.

Acredita-se que as Stupendemys atingiam até 4 metros de comprimento, e pesavam até 1,25 toneladas. Os machos da espécie tinham chifres frontais em seus cascos, provavelmente usados como lanças para defesa, em disputas territoriais e por parceiras com outros machos – comportamento encontrado até hoje em algumas espécies descendentes de tartarugas.

Sua dieta se baseava provavelmente em pequenos animais, como peixes e cobras, mas também em frutas e sementes. Segundo a equipe de pesquisadores, liderada pelo paleontólogo Edwin Cadena da Universidad del Rosario de Bogotá, o porte das tartarugas as levava a habitar lagos e grandes rios da região, onde lutavam pela sobrevivência com outras espécies, como crocodilos – um dos fósseis tinha encravado no casco um dente de 5 centímetros desses répteis predadores.

Mas as Stupendemys não são as maiores tartarugas já descobertas pela paleontologia. A marinha Archelon, que viveu há cerca de 70 milhões de anos, no fim da era dos dinossauros, alcançava até 4,6 metros de comprimento.

Fonte: The Guardian