A essa altura, quem é melhor para o Brasil: Bolsonaro ou Mourão?


Você já deve estar sabendo a essa altura, está havendo uma disputa deflagrada entre alguns dos principais atores políticos brasileiros, que poderia colocar em xeque a estabilidade (e a própria permanência) de Jair Bolsonaro no cargo de presidente do Brasil, em favor do vice Hamilton Mourão.

Para resumir a história: o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, saiu em um ataque sem precedentes ao vice militar, acusando-o de estar alinhado à esquerda e ao "comunismo", e de estar conspirando pela queda de Bolsonaro para assumir o poder. As "suspeitas" de que Mourão estaria ligado ideologicamente à esquerda não vêm de hoje, mas ganharam força (coincidência?) na medida em que o governo vem desidratando na opinião popular (link para a mais recente pesquisa IBOPE aqui), e passando por uma série de vexames que colocam em dúvida sua capacidade de fazer o Brasil dar certo. Para citar alguns, vale lembrar do caos no Ministério da Educação, o escândalo dos laranjas, e o vai-não-vai em torno da questão da embaixada brasileira em Jerusalém e o perigo de perder exportações de carne para o Mundo Árabe.

Num contexto em que o governo e o presidente estão fragilizados (pela própria incompetência é claro), aparentemente a paranoia dos aliados mais próximos a Bolsonaro em relação às intenções de Mourão está aumentando rapidamente. Voltamos aí para a série de tuítes do filho de Carlos, levantando todo tipo de link de YouTubers teóricos da conspiração (um dos vídeos tem o título "General Mourão: o traidor?") para fundamentar sua posição.

Em um desses vídeos, o YouTuber Allan Frutuozo do canal direitista "Vista a Pátria" sugere uma suposta articulação de Mourão na câmara dos deputados para viabilizar um impeachment de Bolsonaro.

OK. Vamos colocar agora a bola no chão, e digerir tudo isso: em sua campanha de comunicação online via Twitter de ataque a Mourão, o filho do presidente está acusando o vice militar de conspirar pelo impeachment de Bolsonaro, e consequentemente, de articular um suposto retorno de uma agenda mais à esquerda ao Planalto.

Vamos, por um momento, supor que isso possa mesmo ser verdade. Que, no contexto de um governo desastrado, desestruturado, e em franca corrosão, Mourão possa mesmo estar articulando um "plano B", buscando uma voz mais aberta ao diálogo com atores progressistas (afinal um governo se faz a partir do diálogo), para o caso de Bolsonaro continuar se provando incapaz de governar o Brasil, ameaçando assim a estrutura social do país.

Nesse cenário, que mais parece um Game of Thrones à brasileira, quem você acha que seria um melhor líder para o Brasil? Bolsonaro e a continuidade de sua agenda conservadora antiquada – que traz junto consigo um alinhamento ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a desestabilização da América Latina via uma posição anti-Venezuela, práticas econômicas que ameaçam a preservação do meio-ambiente e da biodiversidade, e também a sobrevivência de minorias e populações em risco, como indígenas e quilombolas, além de uma agenda econômica ultraliberal que coloca em xeque direitos básicos da população mais vulnerável, e a própria saúde macroeconômica do país no longo prazo? Ou Mourão, um general estrelado, não testado na posição de comando assim como Bolsonaro, mas que flerta com posições mais progressistas (aparentemente)?

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