Sistema de chips que imita cérebro promete abrir portas para nova geração de computadores


TrueNorth

Quando se fala na evolução dos computadores, geralmente pensamos em máquinas mais velozes, capazes de processar uma quantidade maior de dados em menor tempo. Mas há outros caminhos para esse progresso. Por exemplo, tornar os chips mais inteligentes e econômicos – justamente o que pesquisadores da IBM estão fazendo com um projeto que busca no cérebro novos modelos para os computadores da próxima geração.

Um time dentro da empresa anunciou a criação de um sistema de chips composto por 48 milhões de neurônios artificiais, número equivalente ao cérebro de um pequeno roedor. Cada chip possui 1 milhão dessas células eletrônicas, e se comunica com seus pares para executar algoritmos de inteligência artificial.

Segundo a IBM, o TrueNorth, nome com que o sistema foi batizado, se sai especialmente bem em tarefas de análise de imagens e linguagem, tecnologia cada vez mais usada por empresas como Facebook e Google, que a usam para organizar a vasta quantidade de informação que elas processam todos os dias.

O sistema tem duas vantagens principais: ele é menor, o que permite embuti-lo em relógios inteligentes e smartphones; e ele consome menos energia, o que reduz o custo de operação. Um chip do TrueNorth possui 5,4 bilhões de transistores que usam 70 milliwatts. Um processador da Intel com 1,4 bilhão de transistores consome de 35 a 140 watts.

A IBM trabalha no TrueNorth desde 2008 junto a uma divisão da DARPA, agência de pesquisa das forças armadas dos Estados Unidos. A iniciativa estuda arquiteturas “neuromórficas”, que se comportem como cérebros orgânicos, e busca aplicá-las a sistemas de computação. Ainda levará alguns anos até o TrueNorth chegar ao mercado, e aqueles que temem o surgimento de uma superinteligência robótica podem ficar tranquilos – apesar de ser inspirado no cérebro, o sistema está longe de alcançar a capacidade de um.

Fonte: Wired