Por que temos motivos, sim, para desconfiar da relação entre Pokémon Go e a CIA


Pokemon

Um brasileiro traduziu no final de semana um texto, publicado originalmente no fórum reddit, sobre uma teoria sombria – de que o jogo-fenômeno Pokémon Go seria, na verdade, um instrumento da CIA, uma das principais agências de espionagem americanas, para se infiltrar nos smartphones de cidadãos e ganhar acesso ao interior de suas casas e de suas vidas – por meio das câmeras, microfones e conexões USB do celular.

A teoria tem base sólida: a Keyhole (fechadura em inglês), empresa que deu origem à Niantic, produtora de Pokémon Go, recebeu financiamento da CIA no passado, por meio de sua divisão de investimentos In-Q-Tel. Outros elementos temperam a teoria, como o fato de o jogo declarar que atua em cooperação com agências do governo americano, e exigir que o jogador tire fotos de seus arredores antes de liberar a captura dos primeiros pokémon.

Teoria

Depois de repercutir nos Estados Unidos, o texto viralizou no Brasil também, e houve questionamentos a respeito das informações. Em resposta, um artigo publicado por uma editora ligada a uma grande empresa de comunicação brasileira afirma que, como aceitamos abrir mão da nossa privacidade a outros serviços, como Snapchat e Instagram, Pokémon Go seria apenas mais um a controlar essas informações.

Mas a verdade é que temos, sim, motivos para desconfiar especialmente de Pokémon Go – afinal, não há notícias de que o Facebook (dono do Instagram e do WhatsApp) tenha recebido financiamento de uma agência de espionagem para iniciar suas atividades. Se houvesse qualquer indício disso, é provável que a nossa relação com os serviços oferecidos pela empresa seria outra.

Se já nos sentimos vulneráveis ao usar o WhatsApp, mesmo com a tecnologia de criptografia ponta a ponta que o aplicativo oferece, o que dirá de um jogo que assume colaborar com agências governamentais dos Estados Unidos?

Infelizmente, com essas informações, será difícil convencer alguém plenamente de que não há problema. A boa notícia é que, agora, sabemos exatamente o que estamos arriscando ao baixar e utilizar Pokémon Go – e podemos decidir livremente a partir disso.