O que está por trás do fenômeno Pokémon Go


Pokemon-Go

Há muito tempo não se via um fenômeno nos games como Pokémon Go. Mesmo para os padrões da franquia, altos depois da febre Pokémon dos anos 2000, o jogo tem sido um ponto fora da curva – com mais instalações que o aplicativo Tinder e prestes a superar o Twitter em usuários ativos. Isso porque o lançamento ocorreu há menos de uma semana. Nem mesmo a produtora do game, a Niantic (nascida em 2010 como uma startup do Google), previa um sucesso tão esmagador. Até o lançamento internacional do jogo precisou ser freado, para que os servidores pudessem dar conta da demanda.

A pergunta que surge naturalmente é: o que acontece com Pokémon Go?

Primeiro, a dinâmica do game é completamente diferente de qualquer experiência anterior na franquia. Baseado em smartphones, o game convida o jogador a calçar seus sapatos e sair de casa em busca de Pokémons espalhados pelo mundo real – visíveis por meio da câmera do celular, inseridos no cenário com uma tecnologia de realidade aumentada. É a experiência mais próxima de se tornar um Mestre Pokémon jamais proporcionada pela Nintendo.

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Afinal, esse sempre foi o grande apelo da franquia – a sensação de se tornar um treinador de monstrinhos, ainda que fosse mediado pelo videogame, pela tela da televisão e por um boneco pixelado. Agora, com Pokémon Go, os níveis de separação foram dramaticamente reduzidos, e os jogadores foram literalmente colocados dentro do jogo. Qualquer fã de Pokémon sabe o apelo emocional que isso provoca. É um sonho realizado.

Além de capturar as criaturas o jogador pode, obviamente, combater com elas e evoluí-las, enfrentar outros treinadores (de carne e osso), participar de disputas em ginásios... Exatamente como Ash fazia em suas aventuras, na TV e no videogame, mas com auxílio da realidade aumentada. Olhando por essa perspectiva, Pokémon Go possui um formato que se encaixa magistralmente aos elementos-chave da franquia – como se os jogos anteriores culminassem neste lançamento. Não é à toa todo o barulho.

O elemento social tem sido bastante destacado desde o lançamento, também. Nas redes sociais, jogadores compartilham fotos de treinadores que eles encontraram no meio da rua, durante suas caças por monstrinhos selvagens. No vídeo de divulgação, há uma clara sugestão de flerte entre um garoto e uma garota que se conhecem durante uma batalha Pokemón – o que pode explicar por que o game superou o número de instalações do Tinder.

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Afinal, com a premissa de que o jogador precisa sair de casa para brincar, o game quebra o estigma dos videogames como sinônimo de tardes solitárias e personalidades introvertidas – lógica, aliás, que a Nintendo se especializou em desconstruir desde lançamentos como o Nintendo 64 e seus encaixes para quatro controles simultâneos.

Do lado comercial, o sucesso não tem feito mal à Nintendo, que viu seu valor de mercado aumentar em US$ 7,5 bilhões em dois dias. As ações da fabricante japonesa chegaram a saltar 25% num único dia, acumulando uma alta que não se via desde 1983, ano de lançamento do Nintendinho no Japão.

Pokémon Go também aponta novos caminhos para a indústria de games, ainda presa ao paradigma do console. Com smartphones cada vez mais poderosos e o amadurecimento de tecnologias como a realidade aumentada e a realidade virtual, novos caminhos aparecem – até mesmo para franquias consagradas. A julgar pelos primeiros resultados financeiros de Pokémon Go, não seria exagero especular que a sobrevivência dessas empresas dependerá em grande parte de sua capacidade de se aproveitar dessas novas tecnologias de formas criativas, oferecendo aos jogadores experiências inovadoras que eles nunca experimentaram antes. Os fãs só têm a ganhar.

No momento, Pokémon Go está disponível oficialmente apenas na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, mas a Niantic promete uma expansão internacional para breve.