O Banco Central da China aposta: o bitcoin vai morrer


Apesar da atual euforia em torno do bitcoin, que fez a moeda atingir marcos históricos de valorização nas últimas semanas, há uma organização importante no mundo que não está impressionada: o Banco Central da China.

Pelo contrário. Durante um fórum financeiro em Xangai no fim de semana, Pan Gongsheng, um dos diretores do Banco Central da China, justificou as ações do órgão, que em setembro proibiu ofertas iniciais de moedas (ICOs) e operações de corretoras de criptomoedas no país.

"Se não tivéssemos fechado as corretoras de bitcoin e barrado os ICOs meses atrás, se a China ainda respondesse por mais de 80% das negociações de bitcoin no mundo, o que teria acontecido? Pensar nisso me assusta", disse Pan, sobre a possibilidade de a volatilidade da moeda trazer consequências negativas à economia chinesa.

O diretor deixou claro que acredita no colapso total da moeda. Para justificar sua opinião, ele citou um artigo do economista Éric Pichet publicado no jornal La Tribune, onde Éric afirma categoricamente que o bitcoin é uma bolha à espera de explodir. Os argumentos que ele dá para isso, no entanto, se baseiam em três cenários pouco prováveis, ao menos do ponto de vista tecnológico. Éric prevê que o bitcoin vai morrer vitimado por um grande roubo, capaz de desestabilizar todo o sistema; um hack na blockchain, que também destruiria a moeda; ou um banimento mundial do bitcoin. Os três casos, no entanto, são especulatórios.

Ainda assim, é compreensivo o posicionamento conservador de uma grande instituição como o Banco Central da China, que precisa garantir a proteção de pequenos investidores, vulneráveis a produtos especulativos.

Depois das ações do governo chinês para banir transações do bitcoin no país, os investidores locais passaram a usar carteiras estrangeiras e fazer transações em esquema peer-to-peer para continuar seus negócios, em um exemplo de como a moeda poderia sobreviver mesmo no caso de banimento em outros países.

Fonte: Quartz

Foto: Flickr/Banco Central da China