Inventor de submarino admite morte de jornalista durante viagem em sua embarcação


Um engenheiro dinamarquês, entusiasta da construção de submarinos, admitiu à polícia nesta segunda-feira que a jornalista sueca Kim Walls, desaparecida desde o dia 10 de agosto, morreu em um acidente durante uma viagem em sua embarcação, o UC3 Nautilus. Em uma primeira versão da história, o inventor, Peter Madsen, que era o único acompanhante de Walls no momento do seu desaparecimento, disse à polícia que ele a havia desembarcado com vida e em segurança em um local remoto de Copenhagen, capital da Dinamarca, após uma entrevista a bordo.

Madsen está preso e responde por homicídio não intencional. As circunstâncias em torno do ocorrido, no entanto, ainda são nebulosas. Não é clara a natureza do suposto acidente, e os motivos que levaram Madsen a deixar o seu corpo na água, em vez de trazê-lo de volta à terra.

O tronco de uma mulher, sem cabeça nem membros, foi encontrado no mar, próximo à região onde o engenheiro afirma ter sepultado o corpo de Walls. A polícia ainda não sabe se os restos mortais pertencem à repórter, conhecida pelo seu trabalho para publicações como o The New York Times.

Kim O último registro de Kim Walls com vida, ao lado de Peter Madsen, no Nautilus

Segundo os investigadores, os dois zarparam do porto de Copenhagen na quinta-feira, 10 de agosto. Na manhã de sexta, o namorado de Walls comunicou seu desaparecimento para polícia, que depois de iniciar as buscas, encontrou o submarino vazio, afundado na baía de Copenhagen.

Na primeira versão, Madsen disse à polícia que desembarcou Walls no porto em segurança e que depois seguiu viagem sozinho, antes de um acidente que levou o submarino a pique. O engenheiro precisou nadar antes de ser resgatado por uma embarcação particular.

Agora, com a nova versão de Madsen, há mais perguntas a serem respondidas. Por que ele não acionou as autoridades depois do acidente? Por que mentiu em sua primeira versão?

Detalhes da investigação seguem em sigilo, mas a história tem capturado a imaginação dos suecos e dinamarqueses em torno das possíveis teorias do que aconteceu no submarino naquele dia.

Peter Madsen tinha fama como inventor entusiasta de submarinos e foguetes. Mas, aparentemente, escondia um lado sombrio. Dois anos atrás, um texto publicado na Internet citava o inventor com a seguinte frase a respeito de sua principal criação:

Uma maldição paira sobre o Nautilus. Essa maldição sou eu. Não haverá calmaria em torno do Nautilus enquanto eu existir.

O caso também tem levantado discussões em torno das dificuldades e perigos enfrentados por jornalistas mulheres ao desempenhar sua profissão.

Fonte: The New York Times