Games online podem render dinheiro para desempregados do futuro, diz pesquisador

Apesar de muitas inovações tecnológicas e científicas apontarem para um futuro brilhante, algumas outras tendências indicam cenários menos animadores. Um exemplo está na configuração atual da economia e do mercado de trabalho. A renda global está cada vez mais concentrada nas mãos de um minúsculo grupo de super-ricos, e a automação da indústria vai gerar grandes ondas de desemprego, que atingirão principalmente os menos capacitados.

Em meio a esse processo, muitos setores serão afetados e terão que se adaptar. Um deles é o de games online. Quem adianta a notícia é Edward Castronova, da Universidade de Indiana, especialista na economia de jogos online.

Online Games

Segundo Castronova, no futuro, empresas de entretenimento podem ser levadas a pagar para que as pessoas joguem seus títulos. A razão para isso está na maneira como essa indústria se configurou na última década.

Antes, o modelo vigente no mercado de games online era o de assinatura. Você pagava um valor mensal para jogar. Mas, nos últimos anos, passou a prevalecer o modelo freemium, onde não se paga nada inicialmente, a menos que o jogador queira itens especiais, como armas e outras ferramentas, que custam dinheiro de verdade. Esse esquema deu certo, e hoje as empresas ganham milhões de dólares por dia com o sistema. Mas existe um porém. Pesquisas apontam que esse modelo é sustentado por uma pequena fração do total de jogadores: cerca de 0.2%, responsável por 48% da renda total obtida pelas empresas.

A teoria de Castronova é que, com o avanço da automação, e o aumento do desemprego no mundo todo, a maioria dos jogadores gastará ainda menos, ou simplesmente deixará de jogar, e as empresas dependerão cada vez mais dessa pequena fatia de grandes gastadores. Mas ninguém gosta de jogar sozinho ou com bots. Ainda será necessário um ecossistema de usuários humanos, e por isso o acadêmico aposta que, no futuro, as empresas podem se ver obrigadas a pagar para que as pessoas populem seus jogos. Nas palavras do pesquisador:

"Jogar por dinheiro será visto como uma escolha ocupacional legítima para aqueles cujas habilidades não são valorizadas pelos mercados de trabalho tradicionais."

A opinião dele é reforçada por Mike Sellers, outro professor da Universidade de Indiana e veterano da indústria dos games:

"Isso parece algo que realmente vai acontecer."

Castronova salienta que esse tipo de emprego não será alegre como se distrair algumas horas no videogame. Os salários serão baixos e o trabalho, isolado.

Os efeitos da automação das fábricas e de outros setores da economia, somados à popularização da inteligência artificial de alta performance, ainda não são claros. Mas uma coisa é certa: nos próximos anos, a maneira como a sociedade se estrutura vai mudar radicalmente.

Fonte: Wired Foto: Mikal Marquez