África deixa de ter fronteiras internas com novo passaporte da União Africana


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Idriss Deby Itno, presidente do Chade, beija o novo passaporte da União Africana. Foto: Ventures Africa

Um novo passaporte da União Africana, anunciado durante a 27ª convenção do bloco, em Kigali, Ruanda, permitirá que cidadãos viajem por qualquer país do continente sem a necessidade de visto. O movimento é considerado por líderes locais como um importante passo na direção de estabelecer uma África sem fronteiras – parte da “agenda 2063”, conjunto de sete metas que almejam um continente mais próspero e pacífico.

Integração e unidade política são objetivos principais. Por isso, o projeto do novo passaporte ocupa um papel central no plano.

A novidade foi apresentada pela Dra. Nkosazana Dlamini Zuma, chefe da UA em final de mandato – este foi seu último discurso como líder do bloco. Ela introduziu o passaporte ao próximo chefe da UA, Idriss Déby Itno, presidente do Chade, e Paul Kagame, presidente de Ruanda.

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O novo passaporte da União Africana. Foto: Ventures Africa

Em entrevista ao Ventures Africa, Acha Leke, diretor da consultoria Mckinsey & Company, diz que o passaporte é essencial para intensificar o turismo e o comércio entre nações africanas.

Por outro lado, Leke não esconde possíveis pontos negativos de uma África sem fronteiras. Pode ser mais difícil enfrentar a ameaça de grupos terroristas, que hoje configuram uma das principais ameaças para um continente pacificado. Além disso, imigrantes podem ocupar os postos de trabalho de outras nações e assim perturbar seus mercados internos. Mas ele, assim como outros líderes, consideram os efeitos positivos superiores aos negativos.

Por enquanto, o passaporte está restrito a líderes de governo e diplomatas, mas os países já têm permissão para emiti-lo a seus cidadão na medida em que isso for possível.

Fonte: Ventures Africa