A Coca-Cola quer banir o açúcar de suas bebidas – e pagará milhões para quem ajudá-la


Foto: Julien Belli/Flickr

A fórmula da Coca-Cola tradicional depende fortemente do açúcar. Para se ter uma ideia, uma garrafa de 1 litro da bebida contém, em média, 108g de açúcar, segundo dados do Sugar Stacks. Isso é muita coisa. Principalmente quando se trata de um elemento que, consumido em excesso, traz perigosas consequências ao organismo.

A adição artificial de açúcar não gera nenhum ganho nutricional e causa deterioração dos dentes. Além disso, pode provocar sobrecarga do fígado e resistência à insulina, que por sua vez leva ao diabetes. O açúcar tem efeitos ainda mais sinistros sobre o corpo: ele pode acionar processos inflamatórios sistêmicos, uma potencial causa de câncer.

Por isso, frente ao aumento da consciência coletiva em relação aos perigos do açúcar, e a uma queda de 19% no consumo de refrigerantes nos Estados Unidos nos últimos 15 anos, a Coca-Cola finalmente decidiu trabalhar mais ativamente em uma alternativa segura e saborosa ao componente.

Nessa busca, a empresa está apostando em uma iniciativa de inovação aberta, prática que tem se popularizado entre as grandes corporações e envolve a participação de agentes externos na solução de problemas internos. A Coca-Cola lançou um desafio público em que oferecerá um prêmio de 1 milhão de dólares, cerca de 3,2 milhões de reais, para quem for capaz de desenvolver um substituto ao açúcar que seja "natural, seguro, com baixa ou sem calorias e que tenha o gosto de açúcar". Ou seja, algo que não faça mal aos consumidores e que ela já deveria estar servindo há décadas.

As inscrições ficam abertas até o dia 18 de janeiro de 2018, e os vencedores serão anunciados em outubro.

Um analista do setor de bebidas ouvido pelo site Quartz avalia que o prêmio é pouco frente ao tamanho do desafio e da estrutura da Coca-Cola. Jogada de marketing ou não, a notícia pode ser considerada positiva, vinda de uma gigante responsável pela venda de 1,5 bilhão das 50 bilhões de bebidas servidas diariamente no mundo todo, segundo relatório de 2005.

Se a Coca-Cola for capaz de substituir nessa escala um agente tão danoso à saúde humana, o impacto será tremendo. Mas até isso acontecer, o mundo ainda continuará consumindo altas doses de açúcar por um bom tempo.

Fonte: InfoMoney